sábado, 25 de abril de 2009

Novo acordo, trema


Pergunta Resposta]
Novo acordo, trema
[Pergunta] O Acordo Ortográfico, de forma muito incisiva ou visceral, diz suprimir "inteiramente" o trema das palavras em língua portuguesa. Observamos tom severo quando o Acordo estabelece: «O trema, sinal de diérese, é inteiramente suprimido em palavras portuguesas ou aportuguesadas. Nem sequer se emprega na poesia, mesmo que haja separação de duas vogais que normalmente formam ditongo: saudade, e não saüdade, ainda que tetrassílabo; saudar, e não saüdar, ainda que trissílabo; etc.» Quer dizer nem mesmo no campo da poesia, terreno fértil da escrita e reescrita critiva do texto, o trema é aceito. Todavia, quando chega aos nomes próprios, isto é, o respeito às propriedade privada, no contexto de dominação político-econômica, suaviza assim: «Conserva-se, no entanto, o trema, de acordo com a Base I, 3.º, em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros: hübneriano, de Hübner, mülleriano, de Müller, etc.» (Base I, 3.º, do Acordo); ou mais adiante reafirma ainda: «Conserva-se, no entanto, o trema, de acordo com a Base I, 3.º, em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros: hübneriano, de Hübner, mülleriano, de Müller, etc.» (Observação, Base XIV, do Acordo).
Não são dois pesos e duas medidas para um Acordo que se propõe a tratar os desiguais (falantes ) como sendo iguais (cultura lusófona)?
Vicente Martins :: Professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú :: Sobral, Ceará, Brasil
[Resposta] Há muito tempo (desde 1945) que esta regra do novo AO é válida para Portugal, sem que tenhamos encontrado grandes problemas. Ser válido agora também para o Brasil enquadra-se no espírito de unidade na língua que se pretende com o novo AO. A perda do trema para o Brasil, nos poucos casos em que ainda se usava ou de outros sinais, é mínima, por exemplo, em relação à substancial perda das consoantes mudas que Portugal sacrifica à unidade, muito mais frequente num texto corrente.
Quanto à manutenção do trema em nomes próprios estrangeiros, os legisladores, que impunham a manutenção original da grafia (letras dobradas, etc.) não podiam, por uma questão de coerência isentar o trema dessa obrigação. Digamos que é uma excepção à regra. Ora de excepções estão as regras repletas; repare por exemplo no 2.º da Base X (7 excepções à regra geral… e ainda há mais…).
Ao seu dispor,
D´Silvas Filho :: 24/04/2009

Novo acordo, trema



[Pergunta de Vicente Martins ao Ciberdúvidas] O Acordo Ortográfico, de forma muito incisiva ou visceral, diz suprimir "inteiramente" o trema das palavras em língua portuguesa. Observamos tom severo quando o Acordo estabelece: «O trema, sinal de diérese, é inteiramente suprimido em palavras portuguesas ou aportuguesadas. Nem sequer se emprega na poesia, mesmo que haja separação de duas vogais que normalmente formam ditongo: saudade, e não saüdade, ainda que tetrassílabo; saudar, e não saüdar, ainda que trissílabo; etc.» Quer dizer nem mesmo no campo da poesia, terreno fértil da escrita e reescrita critiva do texto, o trema é aceito. Todavia, quando chega aos nomes próprios, isto é, o respeito às propriedade privada, no contexto de dominação político-econômica, suaviza assim: «Conserva-se, no entanto, o trema, de acordo com a Base I, 3.º, em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros: hübneriano, de Hübner, mülleriano, de Müller, etc.» (Base I, 3.º, do Acordo); ou mais adiante reafirma ainda: «Conserva-se, no entanto, o trema, de acordo com a Base I, 3.º, em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros: hübneriano, de Hübner, mülleriano, de Müller, etc.» (Observação, Base XIV, do Acordo).
Não são dois pesos e duas medidas para um Acordo que se propõe a tratar os desiguais (falantes ) como sendo iguais (cultura lusófona)?
Vicente Martins :: Professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú :: Sobral, Ceará, Brasil

[Resposta]
Há muito tempo (desde 1945) que esta regra do novo AO é válida para Portugal, sem que tenhamos encontrado grandes problemas. Ser válido agora também para o Brasil enquadra-se no espírito de unidade na língua que se pretende com o novo AO. A perda do trema para o Brasil, nos poucos casos em que ainda se usava ou de outros sinais, é mínima, por exemplo, em relação à substancial perda das consoantes mudas que Portugal sacrifica à unidade, muito mais frequente num texto corrente.
Quanto à manutenção do trema em nomes próprios estrangeiros, os legisladores, que impunham a manutenção original da grafia (letras dobradas, etc.) não podiam, por uma questão de coerência isentar o trema dessa obrigação. Digamos que é uma excepção à regra. Ora de excepções estão as regras repletas; repare por exemplo no 2.º da Base X (7 excepções à regra geral… e ainda há mais…).
Ao seu dispor,
D´Silvas Filho :: 24/04/2009

domingo, 19 de abril de 2009

Vitualha e "virtualha" : eis a questão





Perguntaassim ao Ciberdúvidas: Na proposta do Acordo Ortográfico, cita-se a palavra virtualha. Não sei o que é que isso significa no Brasil. Houaiss não registra esta palavra. No português europeu, quer dizer o quê?
Vicente Martins :: Professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú :: Fortaleza, Sobral, Ceará, Brasil
Responderam-se assim: Como se sabe, o texto do Acordo Ortográfico anda a ser transmitido por tantos meios, que é muito possível que a forma que assinala seja simplesmente uma gralha. Procurei na edição digital disponibilzada pelo
Portal da Língua Portuguesa, e nada de "virtualha"; mas ocorre a forma vitualha, «víveres», na alínea b) do n.º 1 da Base V, "Das Vogais átonas". Como não encontro a forma "virtualha" atestada nem em dicionários de português europeu (Academia das Ciências de Lisboa e Grande Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto Editora), nem em dicionários brasileiros (Houaiss, UNESP), resta-me concluir que "virtualha" está erradamente em lugar de vitualha no documento a que o consulente acedeu.
Carlos Rocha :: 19/11/2008

dupla grafia de palavras como puré e purê







Perguntei assim ao Ciberdúvidas: Como os senhores avaliam o acordo quanto à dupla grafia de palavras como, por exemplo, puré, purê, adoção, por empréstimo, do francês purée? Parece-me que o que ampara a existência da dupla grafia é o respeito à fala regional, diatópica.
No caso do Brasil, que no seu regionalismo linguístico registra, também, em dicionário, a palavra pirê, sob provável cruzamento com pirão, do tupi, como lidaríamos com uma tripla grafia em sala de aula ou em formação de professores da língua portuguesa?
O Acordo não desrespeitaria, no tocante às prescrições da dupla grafia, à variação regional interna dos países ao fixar unicamente as duas formas puré e purê?
E do ponto de vista cultural isso não é ruim para o Brasil e também para Portugal?
Um abraço cearense.
Responderam-se assim:: Professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú :: Sobral, Brasil
[Resposta] A forma pirê não se encontra ao mesmo nível que a alternância ou facultatividade entre puré e purê. Pirê é um brasileirismo que deve ter entrada própria num dicionário. Não é, portanto, uma variante gráfica que se soma à alternância puré/purê.
Em contrapartida, as formas puré e purê são variantes fonéticas e gráficas da mesma palavra e, por isso, deverão ser contempladas na mesma entrada lexicográfica. Estas variantes enquadram-se pelo princípio da dupla acentuação que, explica o
anexo II da legislação portuguesa ao Acordo Ortográfico de 1990, surgiu «como a solução menos onerosa para a unificação ortográfica da língua portuguesa». O referido anexo esclarece ainda o seguinte sobre o sistema de acentuação gráfica (bases VIII a XIII):
«2.3. Encontramos igualmente nas oxítonas [v. base VIII, 1.º, a), obs.] algumas divergências de timbre em palavras terminadas em e tónico, sobretudo proveniente do francês. Se esta vogal tónica soa aberta, recebe acento agudo; se soa fechada, grafa-se com acento circunflexo. Também aqui os exemplos pouco ultrapassam as duas dezenas:
bebé ou bebê, caraté ou caratê, croché ou crochê, guiché ou guichê, matiné ou matinê, puré ou purê; etc. Existe também um caso ou outro de oxítonas terminadas em o ora aberto ora fechado, como sucede em cocó ou cocô, ró ou rô.
A par de casos como este há formas oxítonas terminadas em o fechado, às quais se opõem variantes paroxítonas, como acontece em judô e judo, metro ou metrô, mas tais casos são muito raros.»
Concluindo, não vejo que, neste caso, o novo acordo ortográfico desrespeite as variedades regionais.
Carlos Rocha :: 11/02/2009

Textos Relacionados
Formas preferenciais em duplas grafias. Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Portugal)
Novo acordo, ói, mudas, trema, duplas
Novo acordo, dupla grafia ó/ô
Novo acordo. Duplas grafias, facto, factor, etc.
A dupla grafia de ideia
?
[Léxico]
Hiato e ditongo em piada
Tombar = «registar»
O plural da palavra quebra-mar
Bilhete-postal, impresso, convocatória, aviso e convite
A translineação das palavras cooperação e Cisjordânia
O plural da palavra blister
O plural de selagão
A origem da palavra clérigo
«Controlo remoto»
Diferenças lexicais entre Portugal e Brasil
Mostra todas

LEGASTENIA OU LOGASTENIA: EIS A QUESTÃO



Pergunta assim ao Ciberdúvidas:“Logastenia” ou “legastenia”? Qual das duas grafias deve ser a mais escorreita e cujo significado é dificuldade no aprendizado da escrita e da leitura na escola.
Vicente Martins :: :: Brasil


Responderam-me assim: O Dicionário Eletrônico Houaiss regis[r]ta logastenia (termo da área da neurologia), e diz que é o mesmo que afasia (forma preferível), definida, na mesma área, como «enfraquecimento ou perda quase total do poder de captação, manipulação e por vezes de expressão de palavras como símbolos de pensamentos, em virtude de lesões em alguns centros cerebrais e não devido a defeito no mecanismo auditivo ou fonador; logastenia». O Grande Dicionário da Porto Editora não regista logastenia, mas, sim, afasia.
C. M. :: 04/12/2006

Acordo Ortográfico e o termo aistórico





Pergunta assim ao Ciberdúvidas(PT): O Acordo Ortográfico, em vigor, prescreve assim:
«O h inicial mantém-se, no entanto, quando, numa palavra composta, pertence a um elemento que está ligado ao anterior por meio de hífen: anti-higiénico/anti-higiênico, contra-haste; pré-história, sobre-humano.» (Base II – Do h inicial e final, 3.º).


Todavia, há um adjetivo, sem hífen, nas mesmas condições acima, como aistórico (datado, segundo Houaiss, de 1930). Aliás, o próprio Houaiss informa que aistórico, menos corrente e mais usado que anistórico, refere-se a uma forma «neológica controversa; propõe-se como forma alternativa anistórico, vocábulo calcado no pressuposto de que o a- privativo grego toma a forma an- antes de vogal, o que é verdade quando não se trata de vogal aspirada — precisamente o caso de histórico, do gr. historikós».
O Acordo não acolheria aistórico por ser uma forma neológica?
Como lidar com esta situação em sala de aula, especialmente na formação de professores de língua materna?
Vicente Martins :: Professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú :: Sobral, Ceará, Brasil

Responderam-me assim: 1. A regra citada não se aplica porque a-/an- não é radical, mas, sim, prefixo, não estando em causa, portanto, uma palavra composta. Acresce se a-/an- não se liga à forma de base através de hífen (cf. amoral, assexuado) também não está em causa a supressão/não supressão do h.
2. Confirma-se que anistórico («contrário à história») é a forma preferencial.


Ana Martins :: 02/03/2009

A DISLEXIA É UM FENÔMENO LINGÜÍSTICO?





Perguntei ao Ciberdúvidas (PT): Como vocês avaliam a questão da dislexia (dificuldade de leitura) no ensino da língua portuguesa? É neurológico? É um fenômeno lingüístico, psicolingüístico?


Responderam-se assim: Como explica o dicionário da Porto Editora, a dislexia é termo médico que indica perturbação patológica do mecanismo da leitura, com deformações, erros e lacunas, bem como toda a perturbação na identificação, compreensão e reprodução de símbolos escritos. Não tem nada que ver com a inteligência (Einstein era disléxico!). Aconselho-lhe a leitura do artigo "Dislexia" inserido no vol. 4 da 1.ª Actualização da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, que ocupa oito colunas. Poderá com certeza encontrá-lo em alguma boa biblioteca pública ou numa instituição de ensino. Nesse notável estudo são tratados o seu diagnóstico, modelos nosográficos e etiológicos, problemas associados à dislexia e o questionamento da noção de dislexia.


F. V. Peixoto da Fonseca :: 04/01/2002

OS LUSÓFONOS ACABAM O TREMA. E O RESTO DO MUNDO, CONSERVA-O. QUAL A CONSEQUÊNCIA SEM TREMA PARA OS SUBDESENVOLVIDOS?






Perguntei, prolixamente, assim : Estimados amigos, o Acordo Ortográfico, de forma muito incisiva ou visceral, diz suprimir ´inteiramente´ o trema das palavras em língua portuguesa. Observamos tom severo quando o Acordo estabelece: ´ O trema, sinal de diérese, é inteiramente suprimido em palavras portuguesas ou aportuguesadas. Nem sequer se emprega na poesia, mesmo que haja separação de duas vogais que normalmente formam ditongo: saudade, e não saüdade, ainda que tetrassílabo; saudar, e não saüdar, ainda que trissílabo; etc.´. Quer dizer nem mesmo no campo da poesia, terreno fértil da escrita e reescrita critiva do texto, o trema é aceito. Todavia, quando chega aos nomes próprios, isto é, o respeito às propriedade privada, no contexto de dominação político-econômica, suaviza assim ´ Conserva-se, no entanto, o trema, de acordo com a Base I, 3º, em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros: hübneriano, de Hübner, mülleriano, de Müller, etc.´ (Base I, 3º, do Acordo) ou mais adiante reafirma ainda: ´ Conserva-se, no entanto, o trema, de acordo com a Base I, 3º, em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros: hübneriano, de Hübner, mülleriano, de Müller, etc´ (Observação, Base XIV,do Acordo). Não são dois pesos e duas medidas para um Acordo que se propõe a tratar os desiguais (falantes ) como sendo iguais (cultura lusófona)?


Academia me respondeu, sinteticamente assim: O trema foi abolido inteiramente da língua portuguesa, e não dos nomes estrangeiros e de seus derivados.

AISTÓRICO, A-HISTÓRICO, ANISTÓRICO. COMO ASSIM





Perguntei assim: : Estimados amigos da ABL, Não está suficientemente esclarecido para mim, tomando como referência o item 3º do 2º artigo da Base II do Acordo Ortográfico, a grafia escorreita da palavra aistórico. Doravante, não deveríamos grafar a palavra aistórico, seguindo a regra do Acordo, a-histórico, tomando por analogia as palavra anti-higiênico, contra-haste, pré-história, sobre-humano, conforme o exemplário do Acordo? Por acaso o a é um prefixo de valor funcional menor do que anti, contra, pré e sobre?


ABL me respondeu assim: : A-histórico é como a palavra está registrada no VOLP. O item 3.º da Base II não fala nada sobre ou contra a grafia a-histórico.

Academia Brasileira de Letras - Todos os direitos reservados

ACORDO ORTOGRÁFICO E O CRIME DE LESA-ORTOGRAFIA






Perguntei assim : O Acordo traz bases que me parecem sugerir respeito aos paises lusófonos. Todavia, quando diz assim: " Não é admissível o uso do apóstrofo nas combinações das preposições de e em com as formas do artigo definido, com formas pronominais diversas e com formas adverbiais " (Base XVIII, do Apóstrofo) ou " A propósito, deve observar-se que é inadmissível z final equivalente a s em palavra não oxítona: Cádis, e não Cádiz " (Base III,Da homofonia de certos grafemas consonânticos) não transformaria o que poderia ser uma prescrição em uma proscrição que fere o princípio de autonomia dos povos de cultura lusófona? escrever, por exemplo, Cádis ou Cádiz não é, em se tratando de nomes próprios, uma opção de variação ortográfica dos falantes e escreventes da língua portuguesa?


ABL me respondeu assim: O acordo foi elaborado pelos filólogos e linguistas das duas Academias: Brasileira de Letras e das Ciências de Lisboa, com o intuito de unificar e simplificar a grafia do português em todos os países lusófonos. Se houver muita variação ortográfica, o Acordo não fará sentido.